Aprender Violão Clássico: 7 Coisas Que Você Precisa Saber.

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Você provavelmente está iniciando a sua jornada no violão para aprender violão clássico.

Você já teve esse sentimento?

Uma sensação maravilhosa e o coração batendo mais forte ao simplesmente escutar o som do violão?

Você não sabe como, mas parece que aquele som conversa com você e não dá vontade de fazer outra coisa, a não ser tocar e escutar mais.

Aprender Violão Clássico Eu senti isso nas primeiras vezes que toquei o violão, ainda criança. E também ao ouvir a Bourré da Suíte BWV de Bach.

Nessa época, com 19 anos, eu me perguntava: Será que eu vou conseguir aprender violão clássico? Era tudo que eu queria, um desejo tão forte que pautou muitas decisões tomadas por mim nos últimos 20 anos.

Movido por esse sentimento, escrevo este post, onde quero te mostrar:

1 – Porque todo violonista deve aprender violão clássico, ainda que de forma básica;

2 –  Conhecimentos teóricos para aprender violão erudito;

3 – Técnica necessária no violão clássico

4 – 12 violonistas eruditos que você precisa conhecer

5 – 10 compositores do violão no Brasil e no mundo, para você não ficar para trás

6 – 12  músicas para evoluir no violão clássico

7 –  Mentalidade de um violonista erudito.

Você já percebeu que este artigo é uma mina de ouro. Então continue lendo para saber mais sobre como aprender violão clássico:

1 – Porque todo violonista deve aprender violão clássico, ainda que de forma básica;

Aprender violão clássico pode parecer algo distante, difícil. De fato, ser um concertista virtuoso é algo realmente desafiador até mesmo para músicos formados em violão. Mas será que a técnica do violão clássico, a leitura musical e o conhecimento teórico são algo tão inacessível assim?

Te garanto que não. Em todas as áreas do conhecimento humano se destacar é para poucos. É inerente que seja assim. Mas aprender a arte do violão clássico é para todos que almejam subir de nível como violonistas. Vencer a si mesmo. E este é o primeiro ponto que quero trabalhar com você aqui.

É preciso você responder a você mesmo: Você quer aprender violão clássico por qual das 2 razões a seguir?

  1. Para ser um violonista clássico
  2. Para ser um melhor violonista

Note que ambas as opções acima parecem óbvias e você pode estar tentado a responder: Pelas 2 razões! Porém, quem responde com a letra a, “para ser um violonista clássico”, a meta pode ser bem diferente daquele que responde “para ser um melhor violonista”.

Quando eu comecei a estudar violão erudito minha intenção era apenas de ter técnica suficiente para tocar o que eu quisesse. E apenas depois o estilo erudito me cativou a tal ponto que decidi ser um violonista erudito e cursar o bacharelado em violão.

O fato é que para seu próprio benefício é muito importante ter uma resposta para esta pergunta. O objetivo que te norteia fará muita diferença na sua caminhada. E você poderá fazer escolhas mais assertivas com base neste autoconhecimento.

2 – Conhecimentos teóricos para aprender violão erudito:

A princípio, não há conhecimento musical que não seja importante para um violonista erudito. Mas é claro que o universo musical é tão amplo que seria irreal dizer isso. Então trago aqui uma descrição cuidadosa dos principais pontos a serem trabalhados para você ter sucesso ao aprender violão clássico:

1 – Escrita e leitura das alturas

Alturas são as gradações entre grave e agudo, portando as notas. A notação das mesmas, na partitura, requer o conhecimento dos seguintes tópicos:

  1. Automatismo das notas – Capacidade de dizer as notas na ordem certa, seja do grave para o agudo (Dó, ré, mi, fá, etc) ou do agudo para o grave (Dó, si, lá, sol, fá, etc.)
  2. Pentagrama  – As cinco linhas do pentagrama são o palco das notas que ficam sobre linhas ou nos espaços (entre uma linha e outra).
  3. Tons e semitons – São as distâncias entre notas vizinhas. Por exemplo: Do Dó ao Ré temos 1 tom, e do Mi ao Fá temos 1 semitom (meio tom).
  4. Acidentes – Os acidentes principais que precisam ser aprendidos logo no início são o # (sustenido) e o b (bemol). O sustenido (#) altera as notas um semitom acima, enquanto o bemol (b) um semitom abaixo.  
  5. Intervalos – São as distâncias entre uma nota e outra. Exemplo: Dó – Ré é uma segunda. Dó – Mi uma terça, e assim por diante. O conhecimento de intervalos é a base para a compreensão dos acordes, assim como a construção e leitura de melodias com fluência.

2 – Escrita e leitura das durações  

Notas curtas ou longas? O jogo entre as durações é o que chamamos de ritmo.  Para se obter o domínio da leitura e escrita rítmicas é necessário conhecer:

Notas pontuadas aprender violão clássico
Notas pontuadas
  1. Figuras rítmicas – Os “desenhos” das notas musicais, como semínima, mínima, colcheia, semicolcheia, etc.
  2. Valores – São valores relativos entre uma figura rítmica e outra. Se uma semibreve vale 1, a mínima vale a metade, portanto ½.
  3. Fórmulas de compasso – Números ao início da música que indicam quantos tempos há em cada compasso.
  4. Notas pontuadas – Notas que duram 1,5 a duração da figura rítmica normal (imagem).
  5. Quiálteras – Conjuntos de notas que permitem agrupar um número de notas em um único tempo, fora do padrão da peça em questão. Na imagem abaixo, você vê quiálteras de 3. Onde normalmente caberiam 2 colcheias, foram encaixadas 3, através das quiálteras.
    Quiálteras Aprender Violão Clássico
    Quiálteras de 3

3 – Diferentes tonalidades 

A tonalidade, ou tom de uma música, é determinada através do conhecimento da formação de escalas e de como elas são representadas na partitura.

  1. Armadura de clave – Sustenidos ou bemóis ao início da partitura.
  2. Identificação de tonalidades – Como ler uma armadura de clave.
  3. Círculo das quintas – Como as tonalidades se relacionam em todos os tons, de forma lógica e visual.
  4. Escalas Maiores e Menores – Os tipos mais simples de escalas, que servem como base para todas as outras.

 

4 – Campo Harmônico 

Sistema de acordes que funcionam de forma lógica entre si, servindo para análises musicais. A compreensão harmônica é de fundamental importância para a elevação do nível da performance. A interpretação musical, os fraseados e a dinâmica, são pautados muitas vezes por esta dimensão da música.

Aprender Violão Clássico

  1. Formação de tríades – Sobreposição de 3 notas, em terças, para formação de acordes.
  2. Nomeação dos acordes – Como saber se um acorde é um C ou Cm?
  3. Formação das tétrades – Sobreposição de 4 notas, em terças, para formação de acordes.
  4. Graus da escala – Na escala de Dó o primeiro grau é o Dó, o segundo grau é o Ré e assim por diante. A nomenclatura por graus é importante para que vejamos os padrões harmônicos, da mesma forma em diversas tonalidades.
  5. Acordes Relativos – Acordes separados entre si por uma terça menor e que tem 2 notas em comum em suas tríades. Acordes relativos podem substituir um ao outro, sendo um importante recurso de harmonia.
  6. Funções Harmônicas – Existem 3 funções harmônicas e somente 3: Tônica, Dominante e Subdominante. Estas funções são inicialmente reconhecidas nos graus dos campos harmônicos. O objetivo é saber reconhece-las auditivamente. O entendimento do caráter de cada uma é que será determinante na interpretação musical.
  7. Cadências principais – Existem cadências harmônicas que reincidem nas obras musicais. Independente de estilos, estas cadências são como que padrões. Ao serem identificados tais padrões começamos a enxergar a harmonia de forma mais simplificada. É quando muitos músicos passam de interpretes a compositores. Experimentar com cadências e ousar com novos acordes é um prazer que vale a pena conquistar.

3 – Técnica necessária para aprender violão clássico

1 – Princípio técnico 

Um caminho assertivo sem um princípio simples e claro dependeria de muita sorte. O mais comum é começar errado e consertar depois, o que muitas vezes acarreta em uma técnica com falhas que duram a vida toda.

O princípio técnico que usamos no Amigo Violão é o princípio do coração. Pode parecer tão simples que insulta a nossa inteligência. Mas como diz o provérbio: “A simplicidade é o mais alto grau de sofisticação”.

2 – Alternância dos dedos indicador e médio 

Esta é uma habilidade que deve ser explorada e desenvolvida em diversos contextos. A independência dos dedos da mão direita em relação aos da mão esquerda é muitas vezes conquistada por esta alternância.

3 – Polegar da mão direita

O polegar, entre os 5 dedos da mão, é o que possui maior independência de movimento. O bom uso deste dedo depende de exercícios simples e, acima de tudo, entender de onde parte seu movimento: da palma da mão.

4 – Ação conjunta do polegar com outros dedos

Ao tocar arpejos ou peças polifônicas (com mais de uma melodia tocadas simultaneamente), a ação do polegar e outros dedos ao mesmo tempo se torna uma habilidade basilar. Há inúmeros exercícios para se dominar esta técnica.

5 – Arpejos

Arpejar é tocar as notas de um acorde uma de cada vez. No violão há técnicas simples e avançadas de arpejo. O fato é que é impossível tocar violão clássico sem dominar algumas destas técnicas.

6 – Escalas 

O estudo das escalas no violão clássico é bem diferente daquele usado por guitarristas ou músicos de jazz. No nosso caso a abordagem é mais nos desenhos que podemos fazer sem abrir muito os dedos da mão esquerda. Esta é uma das principais diferenças entre escalas no violão clássico e na guitarra. Além disso há algumas técnicas muito eficazes para a mão direita.

7 – Ligados

Ligados são técnicas fundamentais de mão esquerda para articulação de melodias. Ligados ascendentes e descendentes, úteis em trinados, ornamentos, melodias e escalas.

4 – 10 Violonistas eruditos que você precisa conhecer ao aprender violão clássico

A minha lista de 10 violonistas é apenas uma lista de favoritos. Logicamente existem outras dezenas de nomes que merecem ser citados. Estes são apenas meus favoritos. Vamos lá:

1 – Andrés Segóvia (1893 – 1987, Espanha). Segóvia é reconhecido por ter expandido o número de composições para violão, tendo incentivado muitos compositores de renome na época, como Torroba, Villa-Lobos, Ponce e muitos outros.

2 – Julian Bream (1933, Inglaterra). Virtuoso no violão, alaúde e vihuela, que gravou praticamente toda a obra para violão até seu tempo de atividade. É reconhecido por sua expressividade musical, tendo sido aluno de Andrés Segóvia.

3 – John Williams (1941, Austrália). É considerado um violonista que “nunca erra”, com uma técnica perfeita. Foi aluno de Segóvia.

4 – Narciso Yepes (1927 – 1997, Espanha). Para que se tenha uma ideia, Yepes foi um dos primeiros responsáveis pela notoriedade do Concierto de Aranjuez.

5 – Manuel Barrueco (1952, Cuba). Erradicado nos EUA, é um dos nomes mais importantes do violão atual.

6 – Pavel Steidl (1961, República Tcheca). Grande intérprete de músicas do período romântico. Tive a sorte de ter uma aula com ele em Belo Horizonte.

7 – Carlos Barbosa Lima (1944, Brazil, São Paulo). Virtuoso desde criança, fez carreira nos EUA, se destacando como arranjador para violão. Seus arranjos são notadamente difíceis de tocar.

8 – Roland Dyens (1955, França). É um dos poucos violonistas clássicos de renome que possuem grande fluência na improvisação, composição e arranjos fabulosos.

9 – Fábio Zanon (1966, Jundiaí). É com certeza considerado por muito o principal violonista clássico do Brasil.

10 – Drew Handerson (Canadá). Nunca vi alguém tocar com som tão puro, limpo e expressivo quando este violonista.

11 – Jodicael Perroy (1973, Paris). Nas duas vezes que o vi tocando em concerto simplesmente fiquei de queixo caído todo o tempo. Veja a interpretação dele de Choro da Saudade (Barrios):

12 – Ana Vidovic (1980, Croácia). Grande intérprete, com técnica impecável.

5 – 10 compositores do violão no Brasil e no mundo, para você não ficar para trás

Esta é uma lista dos principais compositores do violão clássico, historicamente, na minha opinião, em ordem cronológica:

Fernando Sor (1778 – 1839, Espanha)

Mauro Giuliani (1781 – 1829, Itália)

Dionísio Aguado (1784 – 1849, Espanha)

Johann Kaspar Mertz (1806 – 1856, Áustria).

Francisco Tárrega (1952 – 1909, Espanha).

Manuel Ponce (1882 – 1949, México)

Augustín Barrios (1885 – 1944, Paraguai)

Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959, Brasil)

Federico Moreno Torroba (1891 – 1982, Espanha)

Joaquin Rodrigo (1901, 1999, Espanha)

6 – 12  músicas para evoluir ao aprender violão clássico

Esta é uma lista que não deve ser encarada como obrigatória, mas apenas uma sugestão, com base em minha experiência:

1 – Estudo 10 – Dionísio Aguado

Este estudo de arpejo é muito bonito e trabalha o dedilhado p i m i na mão esquerda.

2 – Valsa em Dó Maior – Ferdinando Carulli

Trabalha acordes na primeira posição e um ritmo de valsa (3 por 4).

3 – Estudo 11 Dionísio Aguado – Dionísio Aguado

Estudo de melodia acompanhada com movimentos simples de mão esquerda, em valsa e notas acidentadas que apimentam a harmonia. Trabalha controle de diferentes timbres.

4 – Greensleeves – Anônimo

Um clássico da música medieval.

5 – Espagnoleta – Gaspar Sanz

Um clássico da música medieval espanhola.

6 – Romance de Amor – Anônimo

Trabalha regiões agudas do violão, campo Harmônico Maior e menor e arpejos.

7 – Estudo em Si menor – Fernando Sor

Melodia acompanhada com um belíssimo discurso harmônico. Apesar de ser uma obra tecnicamente simples, é tocada em discos e concertos por grandes nomes do violão erudito.

8 – Estudo em Dó Maior – Francisco Tárrega

Melodia acompanhada com arpejos.

9 – Lágrima – Francisco Tárrega

 Obra de caráter romântico muito conhecida pelo grande público.

10 – Adelita – Francisco Tárrega

Esta é uma peça mais elaborada, sua técnica desafia mais pelos ornamentos.

11 – Valsa em Lá Maior – Dionísio Aguado

Trabalha ligados, dinâmicas e regiões do violão que requerem maior esforço do violonista.

12 – Prelúdio 3 – Heitor Villa-Lobos

Uma das peças tecnicamente mais acessíveis de Villa-Lobos. Embora musicalmente envolva conteúdos bem elaborados.

7 –  Indo além: Mentalidade de um violonista erudito.

A mentalidade de um violonista erudito é de alguém que não se cansa de buscar , mesmo muitas vezes reconhecendo que o seu ideal musical viverá sempre mais longe do que seus dedos são capazes de realizar. O violonista erudito é, também, alguém que busca uma cultura musical além do violão. Na verdade este é um ideal por poucos praticado. A maioria de nós tende a ser incauto em relação a tudo que não envolva o violão.

Mas é importante conhecer obras de outros instrumentos. Muitas vezes até fazer aulas com músicos não violonistas, só para que sua musicalidade ganhe. Além disso é importante conhecer a história da arte como um todo. As relações das outras artes com a música, historicamente, são muito esclarecedoras.

Também considero fundamental que o violonista clássico seja aberto a conhecimento da música popular. Isso não é demagogia. O violão clássico, aliás a música clássica como um todo, sempre bebe da fonte do folclore, dos ritmos populares.

Quem toca Albéniz, Villa-Lobos ou Torroba, percebe claramente a influência da música popular.

Este é um post bem longo e, ainda assim, incompleto. O assunto é vastíssimo e inexaurível. Espero que tenha aproveitado. Escreva aqui seu comentário!

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